março 06, 2026
o primeiro dia
Olho lá para fora, para o chilrear dos pássaros e o barafustar dos galhos que reclamam mais alto que o próprio vento. Descobri agora, aos dezasseis anos, que o céu fica transparente à noite e que tudo aquilo que passa pelos nossos olhos durante esse momento é a imensidão das estrelas de onde viemos. Quero começar a tratar o silêncio como presença e não como vazio, procurar habitá-lo e dar-lhe uma cadeira onde se pode sentar confortavelmente comigo e, juntos, podemos trazer a escuridão permanente à vida de quem ousar olhar-nos de lado. Tenho passado os últimos anos do liceu entalada entre páginas de livros, numa biblioteca que tem mais ratos que pessoas, para minha felicidade. São os únicos amigues que tenho e a Cassandra, a bibliotecária voluntária, vá, se é que posso considerá-la uma verdadeira amiga. O que são amizades verdadeiras? Especialmente para quem está sempre em movimento como eu. Já fui expulsa de dois colégios e as minhas mães ameaçaram que terei de ir viver com a tia Betânia, beta de raiz, Tânia de nome, se continuar a grafitar "revolução" pelos corredores e a passar músicas de intervenção sem a autorização da "rádio escolar, estamos aqui para enCANTAR". Não posso arriscar viver com wannabe betas, tenho uma reputação a manter. É por isso que decidi criar este blogue "REINVENÇÃO", para vos inspirar a romper com este sistema de merda que nos torna reféns de nós próprios, entre a depressão e a desconexão com a natureza, sempre com os olhos postos na realeza. O meu nome é Ërvin e podem ter a certeza de que vão continuar a ouvir este nome: um dia vamos ter uma gótica melancólica, com um pombo de estimação e que só ouve música feita por mulheres e enbies, para presidente.
março 25, 2026
paralisia do sono
Sei que este blogue é político e é suposto levar a cabo uma Revolução, mas há questões imperativas às quais precisamos de responder primeiro para conseguirmos enfrentar as sombras de um governo que vai usar essas merdas que nos atormentam contra nós próprios. O que mais me tem chateado recentemente são sonhos, sonhos que se encontram entre a memória e a realidade. Já alguma vez pensaram no que significam os vossos? Nos símbolos que surgem à mínima coisa, porque as nossas memórias se con(fundem) umas com as outras e provocam um caos abstrato que ninguém descodificou, ainda. As minhas últimas experiências têm sido paralisantes. Aqui há dias sonhei que ficava preso entre quatro paredes de tijolos, sem uma única janela para me encontrar no tempo ou uma porta para ansiar que um dia se abrisse. Como sabia que estava a sonhar tentei acordar e sair de lá e não é que ao tentar sair fiquei preso no limbo, e apesar de já estar meio acordado continuava a ver as paredes de tijolo e não me conseguia mexer ou gritar. Parece que há algo de mágico a tentar evitar que eu quebre uma barreira, para me manter iludido e anestesiado por dentro deste mundo. Será que sou prisioneiro dos meus sonhos ou da realidade? Qual destes mundos é real sequer?
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